Músicas
Por exemplo: “O brasileiro que venceu em San Remo”
Para as visitas em que falta assunto.
Você está sentado ao lado dele. A televisão ficou ligada. Você já fez as três perguntas de sempre — tudo bem, comeu direitinho, foi ao médico — e são quinze para as onze.
Daqui a quarenta minutos, você vai embora com a sensação de não ter feito nada. E vai voltar no próximo domingo, para recomeçar. Não é falta de tempo: você veio. Não é falta de amor: você volta. É que você não sabe o que fazer com esse tempo.
Você abre o livro na primeira página. Lê o enunciado em voz alta. Dá uma dica, depois outra, e para assim que ele se lembra do nome. E aí, alguma coisa se inverte.
Quem recebe a visita volta a ser quem sabe. Ele não está aturando uma atividade que trouxeram para ele: é ele quem tem as respostas, porque as músicas de quando ele tinha vinte anos, os filmes de sábado à noite e os gestos do dia a dia de antigamente são o terreno dele, não o seu.
Você não o mantém ocupado. Você o escuta.
Você chega, conta as novidades, e depois de dez minutos o silêncio toma conta.
Você abre o livro em uma página, lê em voz alta, e seu pai ou sua mãe puxa pela memória.
A televisão fica ligada, cada um olha para ela, e uma visita passa sem que ninguém converse.
Uma pergunta do livro, e é seu pai ou sua mãe quem fala de quando tinha vinte anos.
Você faz sempre as mesmas perguntas: a comida, a noite, o tempo lá fora.
Você pergunta que música tocava no rádio, e seu pai ou sua mãe cantarola.
Você conta como foi a sua semana, seu pai ou sua mãe escuta, e depois ninguém sabe o que acrescentar.
Seu pai ou sua mãe conta, você escuta, e descobre uma história que não conhecia.
Seu pai ou sua mãe diz que não se lembra mais, e a conversa para por aí.
Os jogos dão dicas, e seu pai ou sua mãe reencontra a lembrança no próprio ritmo.
Você procura a música no celular enquanto seu pai ou sua mãe espera.
Você tira uma foto de um pequeno quadrado, e a música começa a tocar para vocês dois.
Uma pessoa que acompanha seu pai ou sua mãe não sabe o que propor à tarde.
Uma pessoa que acompanha abre o livro e começa a fazer seu pai ou sua mãe contar lembranças.
Por hábito, você fala no lugar do seu pai ou da sua mãe, e ele ou ela deixa.
Seu pai ou sua mãe tem a resposta, não você, e é quem explica.
Você vai embora com as novidades da semana, nada mais.
Você vai embora com uma história de família que não conhecia no dia anterior.
Você fica pensando no que levar da próxima vez.
Você deixa o livro em cima da mesa, e a próxima visita continua na página seguinte.
| Sem o livro | Com o livro | |
|---|---|---|
| Você chega, conta as novidades, e depois de dez minutos o silêncio toma conta. | Você abre o livro em uma página, lê em voz alta, e seu pai ou sua mãe puxa pela memória. | |
| A televisão fica ligada, cada um olha para ela, e uma visita passa sem que ninguém converse. | Uma pergunta do livro, e é seu pai ou sua mãe quem fala de quando tinha vinte anos. | |
| Você faz sempre as mesmas perguntas: a comida, a noite, o tempo lá fora. | Você pergunta que música tocava no rádio, e seu pai ou sua mãe cantarola. | |
| Você conta como foi a sua semana, seu pai ou sua mãe escuta, e depois ninguém sabe o que acrescentar. | Seu pai ou sua mãe conta, você escuta, e descobre uma história que não conhecia. | |
| Seu pai ou sua mãe diz que não se lembra mais, e a conversa para por aí. | Os jogos dão dicas, e seu pai ou sua mãe reencontra a lembrança no próprio ritmo. | |
| Você procura a música no celular enquanto seu pai ou sua mãe espera. | Você tira uma foto de um pequeno quadrado, e a música começa a tocar para vocês dois. | |
| Uma pessoa que acompanha seu pai ou sua mãe não sabe o que propor à tarde. | Uma pessoa que acompanha abre o livro e começa a fazer seu pai ou sua mãe contar lembranças. | |
| Por hábito, você fala no lugar do seu pai ou da sua mãe, e ele ou ela deixa. | Seu pai ou sua mãe tem a resposta, não você, e é quem explica. | |
| Você vai embora com as novidades da semana, nada mais. | Você vai embora com uma história de família que não conhecia no dia anterior. | |
| Você fica pensando no que levar da próxima vez. | Você deixa o livro em cima da mesa, e a próxima visita continua na página seguinte. |
Nesta prateleira, todo mundo promete algum efeito. Este livro não promete nenhum. O livro traz lembranças à tona e faz contar histórias. Isso já é muito, e dá para conferir já na primeira visita.
Enquanto relembram juntos, vocês ainda estão juntos.

250 jogos em 19 famílias. 125 jogos fazem contar — músicas, cinema, vida cotidiana — e cada um continua em um vídeo que se abre pelo QR code, nas cinco famílias abaixo. Os outros 125 fazem jogar, no papel: caça-palavras, charadas, sudoku, jogo dos erros, aqueles que todo mundo conhece desde sempre e ainda consegue resolver.
Por exemplo: “O brasileiro que venceu em San Remo”
Por exemplo: “A noite em que todo mundo viu a mesma novela”
Por exemplo: “A mesa bem posta”
Por exemplo: “O mais jovem campeão”
Por exemplo: “O lugar de onde sua mãe veio”
E 14 famílias para jogar com lápis: Caça-palavras (jogos 126 a 137) · Cruzadas diretas (jogos 138 a 149) · Palavras cruzadas (jogos 150 a 158) · Charadas (jogos 159 a 167) · Forca (jogos 168 a 175) · Desafio de letras (jogos 176 a 184) · Sudoku (jogos 185 a 197) · Sequências lógicas (jogos 198 a 205) · Quadrado mágico (jogos 206 a 213) · Jogo dos erros (jogos 214 a 223) · Batalha (jogos 224 a 231) · Dominó (jogos 232 a 238) · Damas (jogos 239 a 245) · Jogo da velha (jogos 246 a 250)
Em 1964, “É Proibido Fumar” era a número um do IBOPE. Aos domingos à tarde, ele apresentava o programa “Jovem Guarda” na TV Record. Em 12 de fevereiro de 1968, venceu o festival de San Remo, na Itália, com “Canzone per te”. E desde 1974, todo fim de ano, tem o seu especial na TV Globo. Que cantor é esse? Circulem o nome juntos.
Ver a página do jogo 1
Cada jogo com QR code tem a sua página: o enunciado, depois o vídeo. Sem a resposta — ela fica no livro.
Dois tipos de jogos dialogam no livro. Os que trazem uma lembrança à tona, com um quadrado para fotografar que abre uma música ou uma gravação de arquivo. E os que se jogam no papel, de lápis na mão.
MúsicasO quadrado abre um trecho
Cinema e TVO quadrado abre um trecho
LembrançasO quadrado abre um trecho
Caça-palavrasPara jogar no papel
SudokuPara jogar no papel
Jogo dos errosPara jogar no papel
Para você, se você visita seu pai ou sua mãe, um cônjuge, alguém de quem você cuida, e procura o que fazer com essa hora. Sempre em dupla: um filho, um cônjuge, uma pessoa que acompanha — o pai ou a mãe também pode folhear o livro sozinho entre uma visita e outra, mas não foi para isso que ele foi feito.
O livro se abre sobre a mesa, a dois. Ele não pede tela, nem conta, nem preparação.

Yvan Keyna é empreendedor, formador e autor. Empreendedor há vinte anos, formado em Novas Tecnologias e Deficiências Sensoriais e Motoras (nível de mestrado), ele dirige a “Editora Socorro!”, uma editora que vai receber vários autores.
Saiba mais sobre eleCasa de repouso ou ILPI, serviço de cuidado domiciliar, prefeitura, plano de saúde. Livros em quantidade para os seus residentes, os seus beneficiários ou as suas equipes.
Dois livros, dois momentos. Cada um corresponde a um momento diferente do que você está vivendo.

Num domingo, seu pai ou sua mãe conta que caiu na semana passada. Está bem. Não quis dizer nada. E você entende, naquele instante, que não sabe nada do que precisaria ser feito agora.
Deixe o seu e-mail: um aviso por livro, nada mais.