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🍋 E se a resposta para o seu pai ou a sua mãe estivesse em outro país?

Um medicamento autorizado na Alemanha pode estar ausente do registro francês na mesma dose: não é uma proibição, é um marco legal diferente.

Yvan Keyna · Publicado em 12 de agosto de 2026

Um medicamento autorizado na Alemanha pode estar ausente do registro francês na mesma dose: não é uma proibição, é um marco…

Um médico responde a você: «nenhum estudo comprova isso.» Você procura em outro lugar, e descobre que um medicamento de vitamina C em dose alta existe nas farmácias alemãs há anos — para um uso que a França não registrou da mesma forma. A pergunta merece ser feita sem acusar ninguém: por que o mesmo produto muda de status ao mudar de país?

Um medicamento de vitamina C em dose alta é autorizado nas farmácias da Alemanha e do Reino Unido há anos, para tratar uma carência. Na França, nenhum equivalente está registrado nessa dose: um médico precisa então sair do quadro autorizado para prescrevê-la, em condições precisas. Não é uma proibição — é um quadro diferente.

O que este artigo não faz: ele não recomenda nenhum tratamento, não dá nenhuma dose, nunca diz que uma infusão de vitamina C trata o que quer que seja. Ele explica um quadro legal e uma diferença entre países, nada mais — e não substitui nenhuma opinião médica.

Pergunta 1

A medicina francesa é a melhor do mundo?

É uma pergunta que quase nunca se faz, e o livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais? a abre com todas as letras: «Pode-se pensar que a medicina francesa está suficientemente na vanguarda do que se faz de melhor, então por que procurar em outro lugar?»

Não é uma pegadinha. A medicina francesa tem as suas forças, documentadas, reconhecidas. Mas um sistema de saúde não é um bloco único: é um conjunto de escolhas — o que se autoriza, o que se ensina, o que se reembolsa — que difere de um país para outro, inclusive entre vizinhos europeus.

Um mesmo medicamento pode assim estar registrado para um uso na Alemanha, e ausente do registro francês na mesma dose. Isso não é sinal nem de atraso, nem de erro: é sinal de que duas administrações decidiram de forma diferente, num dado momento, sobre a mesma questão.

Pergunta 2

Uma infusão de vitamina C, o que é?

Uma infusão intravenosa faz um medicamento entrar diretamente no sangue, por uma veia, sem passar pelo estômago nem pelo intestino. Na França, a vitamina C existe em três formas autorizadas: o comprimido, o pó para diluir e a solução para infusão — o produto é o mesmo, só o caminho muda.

Pela boca, o intestino freia a absorção: acima de uma certa quantidade, o sangue não recebe mais. Foi o que mostrou um estudo do NIH americano com 17 voluntários: injetada na veia, na mesma dose, a vitamina C atinge concentrações no sangue bem mais altas do que engolida. 👉 o estudo do NIH

Uma síntese mantida atualizada pelo Instituto Nacional do Câncer americano detalha essa diferença: a via intravenosa pode levar a concentração no sangue a cerca de 70 vezes mais do que a via oral. Esse número descreve uma medida de farmacologia, não um efeito sobre uma doença — a própria síntese não relata nenhum efeito estabelecido. 👉 a síntese do Instituto Nacional do Câncer

Essa questão de concentração não é nova. O químico Linus Pauling — duas vezes prêmio Nobel, de química e da paz — se dedica a defender o uso da vitamina C em dose alta. 👉 a biografia de Linus Pauling

Com o cirurgião escocês Ewan Cameron, ele publica em 1976 um estudo que compara cem pessoas a mil controles históricos: trabalhos pioneiros, cujo método foi discutido desde então. 👉 o estudo de Cameron e Pauling É essa história, e o que Linus Pauling tirou dela, que Yvan Keyna conta no capítulo 2.4 do seu livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?. 👉 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

A questão continua sendo estudada hoje: uma equipe americana mediu, em 33 pessoas, o que acontece com uma infusão em dose alta no sangue — quanto, por quanto tempo, como ela é eliminada. É um estudo da mecânica do corpo, não de cura, e pode ser lido gratuitamente na internet. 👉 o estudo sobre a infusão em dose alta

Pergunta 3

Onde se pode receber uma, e onde não se pode?

Nos oito países citados pelo livro — Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, China, Japão, Austrália e França — um medicamento injetável de vitamina C é autorizado, às vezes há várias décadas. O que varia de um país para outro é o quadro da dose alta.

País O que está registrado Desde
Alemanha Injetável de 7,5 g, para a carência 2005
Reino Unido Injetável de 7,5 g, para a carência 2020
Estados Unidos Injetável para o escorbuto; dose alta estudada em ensaios 1947
Japão Injetável; dose alta em clínica particular, fora do seguro 2007
Canadá Injetável com receita 1989
Austrália Injetável até 45 g, para a carência —
China Injetável, vários fabricantes —
França Injetável apenas para a nutrição pela veia 1997

A bula do frasco alemão, por exemplo, é um texto regulatório publicado pelo fabricante e validado pela autoridade federal de medicamentos, renovado regularmente. Na França, o produto mais próximo no registro serve a outro uso: a nutrição pela veia, não a dose alta. 👉 a bula do Pascorbin alemão

Para um uso em dose alta, um médico francês precisa sair dessa autorização — uma prescrição fora da autorização de comercialização, artigo L.5121-12-1-2 do código de saúde pública. 👉 o artigo L.5121-12-1-2 do código de saúde pública

Ele só pode fazer isso na ausência de alternativa reconhecida, e terá que se justificar perante a Ordem dos Médicos, à luz dos «dados adquiridos da ciência» — a exigência que o seu código de deontologia lhe impõe, de forma mais ampla. Não é uma recusa: é um procedimento. 👉 o código de deontologia médica

O quadro não diz respeito só à vitamina C. Para o diagnóstico, a Coreia do Sul está entre os países mais bem equipados do mundo: 87 aparelhos de tomografia, ressonância magnética e PET por milhão de habitantes, contra 51 em média nos países da OCDE. 👉 o relatório da OCDE

Para a China, não há nenhum dado internacional recente disponível sobre a sua estrutura de diagnóstico atual: nem para afirmar que ela é mais avançada, nem para dizer o contrário. É um dado ausente, não um julgamento.

Pergunta 4

Por que respondem a você que «nenhum estudo comprova isso»?

Na França, uma prática médica só é recomendada depois de uma classificação das suas evidências, do nível A — o mais sólido — ao nível C. Sem estudo de bom nível, a regra é simples: não se emite recomendação. 👉 o documento da HAS sobre os níveis de evidência

«Nenhum estudo comprova isso» muitas vezes quer dizer «isso não está classificado» — não «isso é falso». Talvez você também tenha pesquisado, num dia de dúvida, e tenham respondido a você, de boa-fé, essa mesma frase.

Não é uma mentira. Mas ouvir isso quando se procura uma pista pode deixar a pessoa abatida, ou frustrada, ou simplesmente desanimada — como uma porta que se fecha sem barulho.

O código de deontologia do médico francês fixa uma exigência precisa: apoiar-se nos «dados adquiridos da ciência», e nunca apresentar como seguro um procedimento «ilusório ou insuficientemente comprovado». Quando um médico responde a você «nenhum estudo comprova isso», ele aplica esse texto — ele não julga a sua iniciativa. 👉 o código de deontologia médica

Esse reflexo se aprende já na faculdade: o programa oficial dos estudos de medicina inclui, entre os seus itens obrigatórios, o conhecimento dos níveis de evidência. 👉 o programa oficial dos estudos de medicina O Conselho da Ordem dos Médicos confirma: o que não é reconhecido cientificamente não é ensinado aos futuros médicos, que continuam, apesar de tudo, livres nas suas escolhas de saúde, de forma informada. 👉 o relatório do Conselho da Ordem dos Médicos

Um médico propõe o que o seu quadro reconhece. A frase que você ouviu muitas vezes descreve esse quadro — não um estado definitivo da ciência.

Pergunta 5

Por que o seu médico só vê uma parte do problema?

Existem duas formas diferentes de entender o corpo humano, escreve o livro: a abordagem global olha a pessoa como um todo — o corpo, a mente, as emoções, o ambiente dela. A abordagem funcional divide o corpo em especialidades, em órgãos, em funções.

Cada uma tem as suas forças. A abordagem funcional permite progressos imensos — um cardiologista trata um coração melhor do que ninguém. Mas ela é, por natureza, fragmentada: um problema de oclusão dentária pode afetar a postura do seu pai ou da sua mãe, sem que nenhum dos dois especialistas envolvidos tenha o problema inteiro diante dos olhos.

Não é culpa de ninguém. É uma consequência da forma como o sistema de saúde está organizado, especialidade por especialidade.

O livro observa, aliás, que a comunicação entre especialistas, terapeutas e administrações nem sempre é simples de manter — não por falta de boa vontade, mas porque a divisão torna a troca mais difícil de organizar. É o que desenvolve o capítulo 2.5 do livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?. 👉 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Pergunta 6

É preciso escolher entre as duas abordagens?

Não — e o próprio livro diz isso: essas duas abordagens «não se opõem, pelo contrário, uma depende da outra». Não é um argumento contra a medicina funcional; é um lembrete de que nenhuma das duas, sozinha, vê tudo.

Um cardiologista continua sendo a pessoa certa para um coração. O que este artigo questiona não é a competência dele: é a dificuldade, para qualquer profissional muito especializado, de ver um problema que extrapola a sua própria área — um limite da divisão, não um limite das pessoas.

Pergunta 7

Tratar ou curar: qual a diferença para o seu pai ou a sua mãe?

O livro distingue dois gestos que muitas vezes se confundem. Tratar é cuidar do que se vê. Curar é cuidar do que causa. Uma cárie tratada, sem que o hábito alimentar mude, volta.

Um AVC estabilizado, sem que nunca se procure a sua causa, pode se repetir. Uma queda que levou pontos, numa casa que continua tão cheia de obstáculos, vai se repetir.

Isso não é culpar ninguém: tratar o que se vê já é um gesto necessário, muitas vezes urgente. Mas uma pergunta fica em aberto, toda vez: quem, no percurso do seu pai ou da sua mãe, tem o tempo e a função de procurar a causa, além do sintoma do dia? É a pergunta que faz o livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?, no capítulo 2.5. 👉 Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Pergunta 8

E se disserem a você que não há mais nada a fazer?

Talvez digam a você que não há nada. Essa frase muitas vezes descreve um quadro francês, não um estado da ciência — e ela deixa vários gestos possíveis, com custos muito diferentes. Perguntar «aqui, ou em outro lugar?» não custa nada: é refazer a pergunta ao seu médico, mencionando o fato de que outros países autorizam outros quadros para o mesmo produto.

Uma segunda opinião na França custa o preço de uma consulta — outro médico, outro olhar, às vezes outra especialidade, para retomar o caso desde o começo. Muitas vezes é o gesto mais simples para fazer primeiro.

Uma opinião no exterior — na Alemanha, na Suíça, na Coreia do Sul, na China — custa mais: uma passagem, às vezes uma consulta particular. Não é um gesto banal, e pode sair caro. Mas, quando a resposta recebida na França é «não há nada a fazer», pode valer o custo.

Procurar a causa, e não só o sintoma, também não custa nada: é uma pergunta a fazer, mais uma vez, antes de aceitar que um caso seja encerrado. Ela não exige nem consulta nem passagem de avião — só refazê-la.

Nenhum desses gestos garante um resultado. Mas nenhum é reservado a quem já sabe onde procurar.


Portrait de Yvan Keyna

Autor: Yvan Keyna


Fontes utilizadas (22)
# Fato citado Link
1 Via oral vs. intravenosa: concentrações no sangue bem mais altas por infusão (estudo do NIH, 17 voluntários, 2004) o estudo do NIH
2 Síntese do Instituto Nacional do Câncer americano (NCI): diferença de até ~70x, nenhum efeito estabelecido sobre uma doença a síntese do Instituto Nacional do Câncer
3 Linus Pauling: químico, dois prêmios Nobel (química 1954, paz 1962), defensor da vitamina C nos anos 1970 a biografia de Linus Pauling
4 Cameron & Pauling, PNAS, outubro de 1976: 100 pessoas vs. 1.000 controles históricos, trabalhos pioneiros cujo método foi discutido o estudo de Cameron e Pauling
4 bis Estudo de 2022 (Chen et al., Clinical Pharmacokinetics): 33 pessoas, medida de concentração/eliminação — citado pela sua existência, nunca por um resultado terapêutico o estudo sobre a infusão em dose alta
5 Alemanha: Pascorbin 7,5 g, bula profissional (Fachinformation) validada pelo BfArM, renovada em 2005, indicação = carência a bula do Pascorbin alemão
6 Reino Unido: dois produtos injetáveis registrados (1986 e 2020) — retomados na tabela a ficha do medicamento britânico
7 Estados Unidos: ASCOR autorizado desde 1947; dose alta estudada em ensaios clínicos universitários — retomado na tabela a rotulagem americana do ASCOR
8 Canadá: injetável inscrito no registro federal (DIN) desde 1989 — retomado na tabela o registro federal canadense
9 Austrália: injetável até 45 g, para a carência — retomado na tabela a ficha australiana do medicamento
10 Japão: injetável autorizado; dose alta praticada desde 2007 em clínica particular, fora do seguro-saúde a página sobre a prática no Japão
11 China: injetável autorizado, vários fabricantes, bulas revisadas pela NMPA em 2025 — retomado na tabela a bula revisada na China
12 França: marco legal — autorização de comercialização (AMM) dos injetáveis limitada à carência em nutrição parenteral, prescrição fora da AMM sob condições (L.5121-12-1-2) o artigo L.5121-12-1-2 do código de saúde pública
13 França: código de deontologia médica — «dados adquiridos da ciência», proibição de apresentar como seguro um procedimento insuficientemente comprovado (R.4127-8, -32, -39, -40) o código de deontologia médica
14 Coreia do Sul: 87 aparelhos de TC/RM/PET por milhão de habitantes, contra 51 em média na OCDE (OCDE, Health at a Glance 2025) o relatório da OCDE
15 China: nenhum dado internacional recente sobre a estrutura de diagnóstico — nada é afirmado, nem de forma positiva nem negativa —
16 HAS: níveis de evidência A/B/C, ausência de recomendação quando não há estudo de bom nível o documento da HAS sobre os níveis de evidência
17 Portaria de 8 de abril de 2013: a medicina baseada em evidências (MBE) é um item obrigatório do 2º ciclo dos estudos de medicina o programa oficial dos estudos de medicina
18 CNOM, relatório «Les pratiques de soins non conventionnelles et leurs dérives», junho de 2023: o que não é reconhecido cientificamente não é ensinado o relatório do Conselho da Ordem dos Médicos
19 O livro Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?, capítulo 2.4 — vitamina C, Linus Pauling (bloco A, linhas a-c) Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?
20 O livro, capítulo 2.5 — abordagem global/funcional, comunicação entre especialistas (bloco B, linhas k, l, m, n, o) Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?
21 O livro, capítulo 2.5 — tratar ou curar: a cárie, o AVC, a queda (bloco B, linha q) Socorro! Quem vai cuidar dos meus pais?

Perguntas frequentes

Um medicamento autorizado na Alemanha pode ser prescrito na França?

Um medicamento registrado na Alemanha para um uso específico pode não estar registrado na França na mesma dose. Um médico francês pode então prescrevê-lo fora do quadro autorizado, sob a sua responsabilidade e em condições precisas. Não é uma proibição, é um marco legal diferente.

O que um médico quer dizer quando responde «nenhum estudo comprova isso»?

Quer dizer que nenhum ensaio clínico de grande porte estabeleceu o efeito buscado. Isso não quer dizer que não exista nenhuma pesquisa, nem que a questão esteja encerrada: «não comprovado» e «comprovadamente ineficaz» não são a mesma coisa.

É possível pedir uma segunda opinião médica em outro país?

Pedir uma segunda opinião é um direito, e você não precisa se justificar. Ampliá-la para outro país é possível, mas não é um gesto banal: ele tem um custo real, em dinheiro e em deslocamento, e não substitui nenhum acompanhamento.

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